segunda-feira, 5 de março de 2012

5 de março de 2012: 125 anos de Heitor Villa-Lobos


Fonte: Jornal do Brasil


Heitor Villa-Lobos. Reprodução
"A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som". Villa-Lobos
      Heitor Villa-Lobos nasceu na Cidade do Rio no dia 5 de março de 1887. Levado pelo pai a estudar instrumentos musicais, aos 13 anos já fazia parte de grupos seresteiros. Em 1905, viajou pelo Brasil, em busca das raízes folclóricas, de onde tiraria inspiração. Por volta de 1913, deu início à sua produção, sob influência de Debussy. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, e, no ano seguinte, viajou para Paris. Em 1930, famoso na Europa, voltou para o Brasil.
      Preocupado com o desenvolvimento artístico do país, Villa-Lobos percorreu o interior em caravanas culturais. Dono de 12 sinfonias, 17 quartetos para cordas, concertos para piano e orquestra, além de óperas, como Malazarte (1921), morreu em sua cidade natal, no dia 17 de novembro de 1959, aos 72 anos de vida, após meses de sofrimento decorrentes de uma grave uremia.
      Em seus últimos dias, as mãos que regeram com maestria tantas sinfonias estavam trêmulas e fracas.


domingo, 4 de março de 2012

A Itália chora a morte do genial Lucio Dalla

Gianni Carta, Carta Capital


Mito na Itália e reconhecido mundialmente, as canções do músico falecido na Suíça na quinta inqueitavam e, ao mesmo tempo, fascinavam. Foto: AFP

      Com sua voz forte e original, ele (Lucio Dalla) contribuiu para renovar e promover as músicas italianas no mundo.” Palavras de Giorgio Napolitano, presidente da Itália, onde o músico e compositor Dalla é um mito.
      Dalla morreu de ataque cardíaco na quinta em Montreux, Suíça, durante um tour europeu. Tinha 68 anos (69 no domingo), e parecia estar em grande forma. Duas semanas antes de ir a Montreux ele havia arrancado calorosos aplausos da plateia do célebre Festival de Canção de Sanremo com sua música Nani.
      Foi em Sanremo, aliás, que sua carreira de mais de 40 anos teve início, em 1971, com Gesù Bambino. A canção foi censurada porque alerta que a mãe de Jesus era solteira. Impassível, o artista resolveu rebatizá-la com a data de seu aniversário, 4/3/43. Minha História é a versão de 4/3/43 de Chico Buarque.
      Nascido em Bologna, Dalla, que em 2008 veio cantar no Brasil, vendeu milhões de discos mundo afora. Era um músico eclético, capaz de mesclar folk, jazz e música clássica. Compunha canções anticonformistas e usava uma linguagem coloquial. Dalla inquietava, e, ao mesmo tempo, fascinava.
      Caruso, para numerosos experts sua canção mais famosa, foi cantada em 1992 por Luciano Pavarotti em um concerto em Modena. Sucesso total: mais de 9 milhões de discos foram vendidos mundo afora.
      Dalla também compôs para diretores de cinema como Mario Monicelli, Michelangelo Antonioni, Michele Placido e Claudio Verdone. O músico, que iniciou sua carreira como clarinetista do grupo Flippers, aos 20 anos, era também saxofonista e tecladista. Todas as formas de arte o interessavam. Era, por exemplo, curador de uma galeria de arte contemporânea em Bologna.
      Disse o cantor Eros Ramazzotti: “Ele foi um dos melhores”. Na sua conta no Twitter, Laura Pausini exprimiu o sentimento de todos os fãs de Dalla: “Não consigo acreditar nessa notícia”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Comparem e Tirem Suas Conclusões

      Eis as duas músicas que concorreram ao Oscar. Sinceramente, acho que indicam filmes e canções brasileiras para concorrerem ao Oscar só para terem o gosto de verem a empolgação e a decepção brasileiras.






domingo, 26 de fevereiro de 2012

Angústia

Silvia Costa da Silva

Eu te espero
Cansada da espera
Que a espera dá.
É complicado revelar
As coisas que vão pelo coração
Em um tufão louco e animal.
Será que existe dor pior que esta?
Só se for a dor de outra espera
Que, porém, tem a certeza de que não virás.

Eu te espero aqui
Com coragem e afinco
Pois tenho a certeza do ombro amigo
Que hás de me dar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Viva Jobim

      Não desfazendo dos atuais compositores, sejam eles ou elas, não nos esqueçamos nunca da genialidade inesgotável de Tom Jobim, que nos legou músicas belíssimas, merecedoras de homenagens muitas e infindas, com a realizada no Grammy deste ano.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Segredo

Silvia Costa da Silva


Muitas pessoas neste mundo questionam: qual o segredo?
Qual o segredo para ser feliz?
Qual o segredo para ser amado?
Qual o segredo para achar graça nas coisas?
Qual o segredo para ter esperanças no amanhã?
Qual o segredo para bem relacionar-se?
Qual o segredo?

Qual o segredo para envelhecer feliz?
Ou para não envelhecer?
Qual o segredo para sorrir mais do que chorar?
Ou para chorar com dignidade?
Para andar na chuva sem sentir frio?
Para sentir calor nos dias frios?
Qual o segredo?

Para olhar-se no espelho com satisfação?
Para ter autocrítica sem se ferir?
Para construir coisas belas de situações feias?
Qual o segredo para por em dia todas as coisas
Tendo sabedoria para descartar somente as desimportantes?

Qual o segredo?
Qual o segredo?

O segredo é não saber o segredo!
Viver não tem fórmulas.
O segredo é sentir que se descobriu o segredo
Quando geramos mais sorrisos do que críticas.
Aprendizados em conjunto.
Congraçamento de vontades, de sonhos, e por que não? De ilusões.

Neste momento, geralmente, pensamos na mesma canção
Que está na cabeça do amigo.
Cantarolamos do nada...

E muitas pessoas nesta hora questionam: ainda há segredo?

O Amor Acaba

Paulo Mendes Campos

      O amor acaba.
      Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro e do silêncio.
      Acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar.
      De repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel, ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinza o escarlate das unhas.
      E acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados; e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado.
      Na insônia dos braços luminososos do relógio. Mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia.
      No sábado depois de três goles mornos de gim à beira da piscina.
      Em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadeza, onde há mais encantos que desejo.
      Em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero.
      Nos roteiros de tédio para o tédio, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada.
      Em cavernas de sala e quartos conjugados, o amor se eriça e acaba.
      No inferno o amor não começa.
      Na usura o amor se dissolve.
      Uma carta que chegou depois, o amor acaba.
      Uma carta que chegou antes, o amor acaba.
      O amor acaba na descontrolada fantasia da libido.
      Às vezes acaba na mesma música que começou, no mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes.
      No coração que se dilata e quebra e o médico sentencia imprestável para o amor.
      Às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido, mas pode acabar com doçura e esperança.
      Uma palavra muda e articulada e acaba o amor: na verdade, no álcool, de manhã, de noite, na floração excessiva da primavera, no abuso do verão e na dissonância do outono.
      Em todos os lugares, a qualquer hora e por qualquer motivo o amor acaba.
      Acaba para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto."