Silvia Costa da Silva
Eu te espero
Cansada da espera
Que a espera dá.
É complicado revelar
As coisas que vão pelo coração
Em um tufão louco e animal.
Será que existe dor pior que esta?
Só se for a dor de outra espera
Que, porém, tem a certeza de que não virás.
Eu te espero aqui
Com coragem e afinco
Pois tenho a certeza do ombro amigo
Que hás de me dar.
Este blog destina-se ao registro de vídeos e textos, meus e de outros que se interessem em colaborar, assim como à notícias sobre cultura. Boa leitura!
domingo, 26 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Viva Jobim
Não desfazendo dos atuais compositores, sejam eles ou elas, não nos esqueçamos nunca da genialidade inesgotável de Tom Jobim, que nos legou músicas belíssimas, merecedoras de homenagens muitas e infindas, com a realizada no Grammy deste ano.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O Segredo
Silvia Costa da Silva
Qual o segredo para ser amado?
Qual o segredo para achar graça nas coisas?
Qual o segredo para ter esperanças no amanhã?
Qual o segredo para bem relacionar-se?
Qual o segredo?
Qual o segredo para sorrir mais do que chorar?
Ou para chorar com dignidade?
Para andar na chuva sem sentir frio?
Para sentir calor nos dias frios?
Qual o segredo?
Para construir coisas belas de situações feias?
Qual o segredo para por em dia todas as coisas
Tendo sabedoria para descartar somente as desimportantes?
O segredo é sentir que se descobriu o segredo
Quando geramos mais sorrisos do que críticas.
Aprendizados em conjunto.
Congraçamento de vontades, de sonhos, e por que não? De ilusões.
Cantarolamos do nada...
Muitas pessoas neste mundo questionam: qual o segredo?
Qual o segredo para ser feliz?Qual o segredo para ser amado?
Qual o segredo para achar graça nas coisas?
Qual o segredo para ter esperanças no amanhã?
Qual o segredo para bem relacionar-se?
Qual o segredo?
Qual o segredo para envelhecer feliz?
Ou para não envelhecer?Qual o segredo para sorrir mais do que chorar?
Ou para chorar com dignidade?
Para andar na chuva sem sentir frio?
Para sentir calor nos dias frios?
Qual o segredo?
Para olhar-se no espelho com satisfação?
Para ter autocrítica sem se ferir?Para construir coisas belas de situações feias?
Qual o segredo para por em dia todas as coisas
Tendo sabedoria para descartar somente as desimportantes?
Qual o segredo?
Qual o segredo?O segredo é não saber o segredo!
Viver não tem fórmulas.O segredo é sentir que se descobriu o segredo
Quando geramos mais sorrisos do que críticas.
Aprendizados em conjunto.
Congraçamento de vontades, de sonhos, e por que não? De ilusões.
Neste momento, geralmente, pensamos na mesma canção
Que está na cabeça do amigo.Cantarolamos do nada...
E muitas pessoas nesta hora questionam: ainda há segredo?
O Amor Acaba
Paulo Mendes Campos
O amor acaba.
Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro e do silêncio.
Acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar.
De repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel, ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinza o escarlate das unhas.
E acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados; e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado.
Na insônia dos braços luminososos do relógio. Mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia.
No sábado depois de três goles mornos de gim à beira da piscina.
Em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadeza, onde há mais encantos que desejo.
Em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero.
Nos roteiros de tédio para o tédio, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada.
Em cavernas de sala e quartos conjugados, o amor se eriça e acaba.
No inferno o amor não começa.
Na usura o amor se dissolve.
Uma carta que chegou depois, o amor acaba.
Uma carta que chegou antes, o amor acaba.
O amor acaba na descontrolada fantasia da libido.
Às vezes acaba na mesma música que começou, no mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes.
No coração que se dilata e quebra e o médico sentencia imprestável para o amor.
Às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido, mas pode acabar com doçura e esperança.
Uma palavra muda e articulada e acaba o amor: na verdade, no álcool, de manhã, de noite, na floração excessiva da primavera, no abuso do verão e na dissonância do outono.
Em todos os lugares, a qualquer hora e por qualquer motivo o amor acaba.
Acaba para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto."
Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro e do silêncio.
Acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar.
De repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel, ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinza o escarlate das unhas.
E acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados; e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado.
Na insônia dos braços luminososos do relógio. Mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia.
No sábado depois de três goles mornos de gim à beira da piscina.
Em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadeza, onde há mais encantos que desejo.
Em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero.
Nos roteiros de tédio para o tédio, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada.
Em cavernas de sala e quartos conjugados, o amor se eriça e acaba.
No inferno o amor não começa.
Na usura o amor se dissolve.
Uma carta que chegou depois, o amor acaba.
Uma carta que chegou antes, o amor acaba.
O amor acaba na descontrolada fantasia da libido.
Às vezes acaba na mesma música que começou, no mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes.
No coração que se dilata e quebra e o médico sentencia imprestável para o amor.
Às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido, mas pode acabar com doçura e esperança.
Uma palavra muda e articulada e acaba o amor: na verdade, no álcool, de manhã, de noite, na floração excessiva da primavera, no abuso do verão e na dissonância do outono.
Em todos os lugares, a qualquer hora e por qualquer motivo o amor acaba.
Acaba para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto."
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Adele, uma estranha (bem-vinda) no ninho espalhafatoso da música pop
Cantora britânica se torna o fenômeno de vendas sem precisar de coreografias rebolativas nem letras de cunho sexual como suas oponentes
Rodrigo Levino, Revista Veja
Em 2008, quando Adele lançou o seu primeiro disco, 19, foi saudada como a nova Amy Winehouse. Mas, a bem da verdade, afora as referências ao gênero musical e uma predisposição para tratar das próprias angústias em suas composições, são duas artistas distintas. Amy, sem rumo e dada a excessos; Adele, uma antimusa recatada.
É essa a imagem que ela mantém em 21, seu segundo disco, lançado aqui em abril deste ano. A voz de timbre rouco e potente serve de suporte a canções com letras confessionais que por pouco não passam da conta no açúcar - muito diferente de Amy e sua verve romântica tresloucada. Adele também se diferencia no rol de influências, lançando mão de folk e rhythm’n’blues em suas composições.
A maioria das letras da diva rechonchuda fala de namoros fracassados e de dificuldades de adequação social. A cantora nunca negou que trate de sua vida nas canções. Tanto que deu margem a que um ex-namorado pensasse em processá-la, alegando direito aos royalties das faixas que teria inspirado. Loucuras à parte, 21 é um disco que confirma Adele entre as expoentes da sua geração.
Canções como Rolling in the Deep, Someone Like You, Set Fire to The Rain e Lovesong (versão de música já gravada pela banda The Cure) impulsionaram as vendas de seus discos, 19 e 21 - os números correspondem à sua idade na época do lançamento. Do dia para a noite, Adele deixou de ser uma branquela redonda e chorosa para se tornar, até agora, o maior fenômeno de vendas do ano.
Canções como Rolling in the Deep, Someone Like You, Set Fire to The Rain e Lovesong (versão de música já gravada pela banda The Cure) impulsionaram as vendas de seus discos, 19 e 21 - os números correspondem à sua idade na época do lançamento. Do dia para a noite, Adele deixou de ser uma branquela redonda e chorosa para se tornar, até agora, o maior fenômeno de vendas do ano.
Desde 1990, quando Madonna lançou The Immaculate Collection, uma mulher não ficava em primeiro lugar por dez semanas consecutivas na parada inglesa. Adele foi lá e bateu a marca. Nos Estados Unidos, ela ultrapassou a soma de 1 milhão de discos vendidos e obrigou Lady Gaga, depois de Born This Way despencar 84% nas vendas de uma semana para outra, a disputar palmo a palmo um lugar na parada de sucessos.
Para o crítico de música da revista americana The New Yorker, Sasha-Frere Jones, Adele é prestigiada nos Estados Unidos por um público branco, de meia-idade, que não sabe fazer download e precisa ir à rede de café Starbucks comprar discos. O que justificaria a explosão nas vendas.
Sem muito talento para a dança nem as coreografias de apelo sexual, resta a Adele fazer o que lhe cabe bem: cantar. Produzido por nomes experientes do ramo, como Rick Rubin (Johnny Cash, Red Hot Chilli Peppers e The Gossip) e Paul Epworth (Cee Lo Green), 21 chegou ao topo como um elemento estranho, cercado por beldades como Rihanna, Shakira e Britney Spears. E deve se manter por uma mistura de talento e qualidade. Pedir autenticidade no soul de boutique que Adele canta já seria demais.
Sem muito talento para a dança nem as coreografias de apelo sexual, resta a Adele fazer o que lhe cabe bem: cantar. Produzido por nomes experientes do ramo, como Rick Rubin (Johnny Cash, Red Hot Chilli Peppers e The Gossip) e Paul Epworth (Cee Lo Green), 21 chegou ao topo como um elemento estranho, cercado por beldades como Rihanna, Shakira e Britney Spears. E deve se manter por uma mistura de talento e qualidade. Pedir autenticidade no soul de boutique que Adele canta já seria demais.
Comentário do blog: Não sei se o fato se deve à cultura brasileira, mas é incrível como o repórter não conseguiu escapar da obviedade de bater na tecla da questão do phisique du rôle da cantora...
2012- o fim do mundo
Kledir Ramil
Segundo as leituras que andam fazendo do calendário Maia, em 2012 estaremos chegando ao fim do mundo. Gostaria de aproveitar a oportunidade e me despedir de todos. Foi um prazer ter vocês como companheiros de viagem durante esses anos em que estivemos nos equilibrando sobre essa bola simpática, que gira pelo céu a uma velocidade espantosa de 1674 km/h. Isso mesmo, é mais que a velocidade do som. Nunca consegui entender como é que a gente não cai e nem perde o equilíbrio, o que, a essas alturas, já não importa mais.
Eu achava que iria acabar antes do mundo e já estava me preparando para receber a recompensa que me foi prometida. Todas as religiões afirmam que a gente vai sair dessa pra outra melhor, desde que se comporte direito. Fiz meu dever como um aluno aplicado e abri mão de tudo que era proibido. Me dediquei à prática das virtudes e, com enorme esforço, evitei os pecados. Alguns bem interessantes. Levei uma vida de santo, com o objetivo claro de alcançar a vida eterna, num quarto com vista pro infinito, um mínimo de conforto e regalias, sem ter que me preocupar com contas para pagar.
Agora, comecei a ficar preocupado. Caso se confirmem essas previsões de uma grande catástrofe definitiva, não sei se as promessas das igrejas serão cumpridas. Sim, porque uma coisa é morrer sozinho e ser recebido no céu com carinho e atenção. Outra coisa é chegar um bando de 7 bilhões de almas querendo entrar no portão. Quem vai organizar isso? Será que tem lugar pra todo mundo? Será que o pessoal está preparado? Se em um teatro com lotação esgotada já é difícil segurar o público que ficou sem ingresso, imagina uma situação dessas.
Estou começando a me sentir como aquele cara que apostou na bolsa tudo o que tinha e saiu lesado. Tenho um patrimônio de vida que me daria direito a uma série de privilégios para todo o sempre. Mas se a coisa sair do controle, quem me garante? Mesmo que consigam organizar o engarrafamento do registro de entrada, periga eu ficar numa fila interminável com gente exaltada gritando “isso é o fim do mundo!”. O que não deixaria de ser verdade.
Era só o que me faltava. Acho uma maldade com um cara que teve uma vida exemplar. Não era isso que eu esperava da vida eterna.
Tomara que as previsões estejam erradas.
Eu achava que iria acabar antes do mundo e já estava me preparando para receber a recompensa que me foi prometida. Todas as religiões afirmam que a gente vai sair dessa pra outra melhor, desde que se comporte direito. Fiz meu dever como um aluno aplicado e abri mão de tudo que era proibido. Me dediquei à prática das virtudes e, com enorme esforço, evitei os pecados. Alguns bem interessantes. Levei uma vida de santo, com o objetivo claro de alcançar a vida eterna, num quarto com vista pro infinito, um mínimo de conforto e regalias, sem ter que me preocupar com contas para pagar.
Agora, comecei a ficar preocupado. Caso se confirmem essas previsões de uma grande catástrofe definitiva, não sei se as promessas das igrejas serão cumpridas. Sim, porque uma coisa é morrer sozinho e ser recebido no céu com carinho e atenção. Outra coisa é chegar um bando de 7 bilhões de almas querendo entrar no portão. Quem vai organizar isso? Será que tem lugar pra todo mundo? Será que o pessoal está preparado? Se em um teatro com lotação esgotada já é difícil segurar o público que ficou sem ingresso, imagina uma situação dessas.
Estou começando a me sentir como aquele cara que apostou na bolsa tudo o que tinha e saiu lesado. Tenho um patrimônio de vida que me daria direito a uma série de privilégios para todo o sempre. Mas se a coisa sair do controle, quem me garante? Mesmo que consigam organizar o engarrafamento do registro de entrada, periga eu ficar numa fila interminável com gente exaltada gritando “isso é o fim do mundo!”. O que não deixaria de ser verdade.
Era só o que me faltava. Acho uma maldade com um cara que teve uma vida exemplar. Não era isso que eu esperava da vida eterna.
Tomara que as previsões estejam erradas.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Navegar É Preciso
Fernando Pessoa
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
[Nota de SF
"Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC.,
dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida
de Pompeu]
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