quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Aos 84 anos, morre o cantor Andy Williams, autor de 'Moon River'

Jornal do Brasil


Foi anunciada pelo site TMZ, nesta quarta-feira (26), a morte do cantor Andy Williams, aos 84 anos, intérprete da música-tema do filme Bonequinha de Luxo, o clássicoMoon River.
De acordo com o site, o artista sofreu uma parada cardíaca, na noite de terça-feira (25), em sua casa no Branson (Califórnia), depois de uma longa batalha contra um câncer na bexiga. Williams, que já ganhou nove discos de ouro e cinco de platina, já teve seu próprio show de televisão, o The Andy Williams Show.
O artista sofreu uma parada cardíaca na noite de terça-feira, em sua casa na Califórnia 
O artista sofreu uma parada cardíaca na noite de terça-feira, em sua casa na Califórnia 
O cantor já se apresentou ao lado de grandes nomes da música como Ella Fitzgerald, Judy Garland, Sammy Davis Jr., Dorival Caymmi e Tom Jobim. Nas últimas décadas, Williams - que deixou sua mulher Debbie e os filhos Robert, Noelle, e Christian, era conhecido por seus CDs natalinos.




Temos o direito de doutrinar as crianças?!

Antônio Ozaí
Blog da REA


ANTONIO OZAÍ DA SILVA*

Becky Fischer é pastora evangélica e seu rebanho são as ovelhinhas, as crianças. Ela é especialista em evangelizar os pupilos e os seus pais. O ela ensina? Ela ensina a intolerância religiosa. Sua ideologia é a mesma dos grupos religiosos de extrema direita que apoiaram George W. Bush. Aliás, numa das cenas, os meninos e meninas estendem os seus braços em direção à imagem do ex-presidente dos EUA para abençoá-lo. Religião e política mesclam-se perigosamente.

A mensagem evangélica de Becky Fischer e sua turma é política, porém apresentada com as máscaras da religião. Há um agravante: o público alvo não é os adultos, mas sim as crianças – embora os pais estejam envolvidos neste projeto e o apoiem. O objetivo de Fischer é formar os futuros guerreiro de Deus. Ela defende abertamente a necessidade de doutrinar as crianças e transformá-las em soldados de Deus. Entrevistada por Mike, ela defende seu ponto de vista:
Mike – Falamos com Becky em Bismark, Dakota do Norte. Ela é pastora infantil e dirige um acampamento de verão para crianças evangélicas lá em Dakota. Becky, como está?
Becky – Estou muito bem.
Mike – Por que crianças, por que elas deveriam ser o novo exército de Deus? Por que usam crianças para fazer isso?
Becky – Qualquer um que trabalhe com crianças sabe que a razão pela qual trabalha com crianças é porque tudo o que aprendem na idade de 7, 8, 9 anos ficará lá pelo resto da vida… e existem estatísticas que podem investigar…
Mike – Eu conheço as estatísticas, mas você usou o termo “aprender”. A palavra “aprender” é diferente de “doutrinar”. Deus nos deu um cérebro, Deus nos deu a liberdade de escolher e aprender é parte desta escolha. E acredito que cada vez que o movimento fundamentalista, Becky, interfere com isso, nós estamos prejudicando a evolução da humanidade.
Becky – Não acho que nenhuma criança faça nada por escolha. Pelo que entendi, sua pergunta foi se concordo que está correto que o fundamentalismo doutrine suas crianças com suas crenças. Acredito, basicamente, que sim. Porque todas as outras religiões estão doutrinando suas crianças.(…) Gostaria de ver mais igrejas doutrinando.
Mike – Pode se dizer a uma criança qualquer coisa. Assim como eu digo, pode dizer a uma criança… pode transformar uma criança em um soldado que carrega um AK-47.
Becky – Pode chamar de lavagem cerebral, mas sou apaixonada e radical em ensinar às crianças sobre sua responsabilidade como cristãos, assim como temerem a Deus, como americanos, se quiserem chegar…
Mike – Bom Becky, deixe-me lhe fazer uma pergunta. Como ignorar que, de repente, estamos criando soldados crianças para o Partido Republicano? O que isto tem a ver com qualquer coisa que Cristo disse sobre como devemos viver nossa vida na Terra?
Becky – É… Não tenho certeza… Não conheço igrejas que tenham agendas políticas. Eu não persigo as minhas crianças politicamente… sinto que, sabe…porque ao mesmo tempo, quero dizer… não tenho nenhum problema em dizer às minhas crianças que estamos a favor da vida.
Mike – Eu digo Deus está nos observando… (…) E Deus tem um lugar muito especial para aquelas pessoas que maltratam nossas crianças. Não é um lugar bonito.
Becky – Não caio nessa, Mike.
Mike – Sabe o que sempre fez com que este país fosse especial? O que sempre diferenciou este país é que existe algo que chamamos de separação entre Igreja e Estado. Isso é algo que sempre nos separou e tem separado por 200 anos. Isto funcionou. Eu respeito seu direito como fundamentalista de ensinar às crianças qualquer coisa que queira, mas não deixe que o sangue manche o setor público. Não deixe que manche de sangue as escolas.
Becky – Não concordo com você, o cristianismo é importante. Acreditamos que é a religião mais importante do mundo porque transforma a vida das pessoas.
Mike – Mas Becky, é uma poção de bruxa e irá se apoderar da democracia.
Becky – Sabe, acho que a democracia é o maior sistema político na Terra, mas só isso, é o único… o único sobre a Terra… e em última instância está desenhado para destruir a si mesmo, porque temos que dar a todos a mesma liberdade e isso no final será o que vai nos destruir. E então o mundo perfeito não vai ser perfeito até que Jesus seja o verdadeiro Senhor.
Mike – Becky, obrigado por estar conosco.
Becky – De nada.
Mike e Becky Fischer
Peço desculpar pela longa citação, mas a entrevista sintetiza as questões principais presentes no documentário Jesus Camp (O Acampamento de Jesus)*, na sociedade estadunidense e em qualquer lugar no qual o fundamentalismo religioso se manifeste. O desenlace da entrevista mostra bem a impossibilidade de dialogar com tais pessoas. Elas se veem como porta-vozes de Deus, missionárias de uma guerra santa para instituir o reino de Deus na terra. Elas dizem que Deus é Onipresente, Onisciente e Onipotente. Por que, então, Deus precisa delas para se fazer ouvir?
Pessoas como Becky Fischer consideram-se indivíduos especiais, intérpretes inquestionáveis da palavra de Deus, da verdade revelada a elas! Veem-se como a voz de Deus, portadores da verdade absoluta. Se dependesse delas, as fogueiras da inquisição permaneciam a arder e a queimar os ateus, hereges, mulheres que abortam, defensores da descriminalização do aborto, gays e lésbicas, que elas consideramanormais e aberrações da natureza. Conservadores até a medula, não suportam a mínima alteração no que consideram a ordem natural das coisas. Na cruzada contra omal, isto é, contra tudo o que não se encaixe em sua tacanha concepção do mundo, veem-se como os salvadores de almas e imaginam ter o mandato divino para manter-nos no reto caminho do Senhor!
Becky Fischer organiza anualmente o Acampamento de Jesus. As cenas mostram crianças em transe, chorando convulsivamente, aos gritos. Os soldados-mirins de Deus “aprendem” o criacionismo e são “ensinados” a desvalorizar a ciência e a negar-se a aprender teorias que não estejam de acordo com as suas crenças. O documentário mostra que entre os pais que retiraram os filhos do ensino formal reconhecido pelo Estado, a maioria é evangélicos. A pastora “ensina” que o aquecimento global é um mito da ciência. Nem Harry Potter escapa da sua língua afiada, considerado discípulo do demônio.
O mais impressionante é a atitude das crianças, a forma como elas se envolvem e se entregam emocionalmente. O documentário acompanha a rotina de Rachel, Tory e Levi. As atitudes e falas destas crianças são reveladoras do poder da doutrinação. Os métodos “pedagógicos” adotados por Becky, temos que reconhecer, são eficazes. E ela faz um de todos os recursos que facilitem o “aprendizado” das crianças. Por outro lado, é assustador e inquietante observar como as crianças se transformam, a fé cega que os movem, as ações que revelam e nutrem a intolerância. Elas se consideram portadores da inspiração divina, membros do exército de salvação do Senhor.
A entrevista reproduzida acima deixa bem claro a argumentação da pastora. Ela não ver nenhum problema em doutrinar as crianças, pelo contrário, considera legitimo e justifica – inclusive se referindo à formação das crianças sob o islamismo. O entrevistador diferencia “ensinar” de “doutrinar”. Particularmente, concordo com ele. Não obstante, precisamos refletir sobre os limites entre um e outro. A verdade é que, em qualquer cultura, em qualquer sociedade, as crianças são moldadas à imagem e semelhança dos adultos, ou seja, das verdades, crenças e costumes da sociedade adulta. Esta é uma função da religião, mas também da escola, família e outras instituições sociais. Em que medida estes processo de formação das crianças está vinculado ao “ensinar”? Ou é doutrinação?
O argumento de Becky Fischer chama a atenção por seu extremismo, mas fico a pensar sobre o que fazemos com as nossas crianças sob formas de “doutrinação suave”. O fato é que nenhuma criança nasce cristã, islâmica ou judaica, mas é a família e outras instituições sociais que as transformam segundo a religião que seguem. Que direito temos de doutrinar nossos filhos, nossas crianças? De qualquer forma, não é só a religião que doutrina, mas também instituições laicas e ideologias seculares. Na verdade, todos querem controlar as mentes e as almas das crianças. Talvez um dia aprendamos a educar as nossas crianças sem os recursos das religiões, dos ismos e sem a tutela do Estado. Quem sabe ainda aprendamos a educar para a liberdade e nos libertemos de todos os fundamentalismos, sejam eles de cunho religioso ou político-ideológico!
Ficha Técnica
Título: O Acampamento de Jesus
Título original: Jesus Camp
Gênero:Documentário
Diretor:Heidi Ewing e Rachel Grady
Duração:84 min.
Ano de Lançamento:2006
País de Origem:E.U.A.


ANTONIO OZAÍ DA SILVA é professor do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Freddie Mercury completaria 66 anos nesta quarta-feira

Jornal do Brasil


Se estivesse vivo, Freddie Mercury completaria 66 anos nesta quarta-feira (5). O cantor morreu em novembro de 1991, de broncopneumonia, em decorrência da Aids.
Ele entrou para a história não apenas por ser o vocalista e líder do grupo Queen, mas também por ser considerado um dos melhores cantores de todos os tempos, servindo de inspiração e sendo copiado pelas novas gerações.
Para marcar a data, Freddie Mercury deve ganhar diversas homenagens ao redor do mundo, com tributos, bandas cover e até uma versão do cantor no jogo Angry Birds, que estampará algumas camisetas. Parte do dinheiro arrecadado será destinado para a Mercury Phoenix Trust, instituição de caridade que ajuda pessoas com Aids no mundo inteiro - administrada pelos ex-integrantes do Queen, Brian May e Roger Taylor.
Freddie Mercury é um dos maiores ícones da música pop mundial
Freddie Mercury é um dos maiores ícones da música pop mundial










quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MTV Brasil pode ser vendida e extinta no país

Folha de São Paulo


A MTV Brasil, do jeito que o público conhece, pode acabar. O grupo Abril iniciou há dois meses as negociações para dar um novo rumo ao canal musical ainda neste ano.

A principal negociação envolve a venda da rede nacional da emissora e até a devolução da marca "MTV Brasil" para a sua dona original, a americana Viacom.

Entre os executivos de televisão é notório que a MTV não vem alcançando os resultados esperados. Mesmo com os recentes cortes de gastos, a situação não melhorou.

A rede nacional da MTV tem mais de 30 afiliadas, nas frequências VHF e UHF, nas principais regiões do país. Apesar do olho grande dos religiosos, quem está à frente das conversas para a compra é um grupo de investidores internacionais. Além do sinal de TV por todo o país, o pacote deve incluir o prédio onde a MTV está sediada, na zona oeste de São Paulo.

Com a venda da rede, o grupo Abril, que tem os direitos da marca "MTV Brasil" licenciado até 2018, pode renegociá-la com a Viacom, interessada em manter o título no país, batizando um de seus canais na TV paga. Se isso acontecer, a atual programação da MTV deve ser extinta.

O Grupo Abril diz, via assessoria, que não vai se pronunciar sobre o assunto. A Viacom também não se pronunciou sobre o caso.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Morre Altamiro Carrilho

Jornal do Brasil


Morreu na manhã desta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, o flautista Altamiro Carrilho, de 87 anos. O músico e compositor esteva internado cerca de um mês no Hospital São Lucas, na Zona Sul, mas voltou para casa. 
Na segunda-feira (13) ele passou mal e foi levado para uma clínica particular em Laranjeiras. A causa da morte ainda não foi divulgada.
Também não há informações sobre o enterro do músico.
Altamiro gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções e se apresentou em mais de quarenta países difundindo o choro brasileiro.
Altamiro gravou mais de cem discos e  compôs cerca de duzentas canções 
Altamiro gravou mais de cem discos e  compôs cerca de duzentas canções 
O primeiro disco de Altamiro foi "A bordo do Vera Cruz", de 1949. Nos anos seguintes, gravou trabalhos como "Choros imortais" (1964), "Clássicos do choro" (1979) e "Pixinguinha de novo" (1998). Em 1938, foi membro da Banda Lira de Arion, na qual tocava caixa. Quando passou a tocar flauta, foi destaque do programa de calouros de Ary Barroso.
Além da música, atuou como farmacêutico e comprou uma flauta usada, com a qual começou a ganhar fama entre os apreciadores do choro.







Postal do Paraíso

Lighthouse Family
Fonte tradução: Vagalume

Se você nunca der adeus
A coisa mais importante em sua vida
Haverá coisas que você nunca apreciara por completo
Então é melhor que não tente segurar o tempo ou voltar atrás
E assim você se sentirá mais satisfeito.
Postal do paraíso...
Vá para onde você pertence
Você nunca encontrará a situação perfeita
Até que saiba de onde você é...
Se você nunca disse adeus
Sem ressentimentos, eu não perguntarei por que
E eu te desejarei toda a melhor sorte do mundo
Se você está sempre mudando de idéia
De uma olhada pro nascer do sol
Você seguramente se sentirá mais satisfeito.
Postal do paraíso...
Vá para onde você pertence
Você nunca encontrará a situação perfeita
Até que saiba de onde você é...
Postal do paraíso..
Vá para onde você pertence
Você nunca encontrará a situação perfeita
Até que saiba de onde você é...
Postal do paraíso...
Vá para onde você pertence
Você nunca encontrará a situação perfeita
Até que saiba de onde você é...

http://www.vagalume.com.br/lighthouse-family/postcard-from-heaven-traducao.html#ixzz23etUx9AN


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Batman – o ressentimento ressurge


Jean Wyllys
Carta Capital

Muitos sentidos podem ser extraídos de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O filme pode ser abordado de diferentes ângulos ou perspectivas. Eu poderia abordá-lo a partir do sentido de heroísmo que ele propõe: aquele de o heroísmo (ou seu reverso da medalha: a vilania) ser – a despeito do fascínio que nos causa e do fato de demandarmos por ele em nossas existências ordinárias – uma ocupação mal remunerada que frequentemente conduz a um fim prematuro e, por isso mesmo, atrai fanáticos ou pessoas com um fascínio doentio pela morte – algo que é o tema principal do primeiro filme (Batman Begins) da trilogia dirigida por Cristopher Nolan e que reaparece nos outros dois subsequentes.
A hora do adeus. O diretor termina a saga do herói com um filme de ação mergulhado em subtexto escancarado. Foto: WarnerBros
Eu poderia abordar Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge a partir do sentido da prisão – e da pena de prisão – que o filme suscita: o de que as prisões, com suas violações da dignidade da pessoa humana, às margens da Justiça e longe de regenerar e ressocializar os criminosos, servem à construção da delinquência que permite a ampla aceitação de um estado policial e forte sem qualquer questionamento, por parte da maioria, sobre sua possível e provável corrupção e abuso de poder (estado policial e forte encarnado na figura do próprio Batman, cujo trabalho, ao contrário do que é feito pela Mulher Gato, não questiona nem altera as estruturas socioeconômicas causadoras de injustiças sociais).
Eu poderia abordar o filme a partir de sua referência explícita aos “guindastes da morte” do Irã, em cujos cabos os dissidentes da política e da moralidade defendidas e propagadas pela teocracia fundamentalista de Ahmadinejad são enforcados e expostos publicamente para “servirem de exemplo”.
Mas vou abordar Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge a partir daquilo que, para mim, é fio com que a trama do filme é tecida: o ressentimento. Miranda e Bane traçam seu plano de vingança contra Gotham City movidos pelo ressentimento – a vingança é o ressentimento em ação; a Mulher Gato age pelo ressentimento de não ter, de ter que roubar para ter, de ser infame e, por isso, não poder recomeçar sua vida numa sociedade da vigilância e da punição; Blake (ou Robin) nutre o ressentimento pela infância em orfanatos pobres; e, por fim, Batman é produto de um homem ressentido pela perda dos pais milionários e, mais tarde, da mulher que amava, para a violência urbana decorrente da criminalidade. Como bem disse o historiador Marc Ferro, semelhante a esses vírus que julgamos erradicados, quando estão apenas incubados, o ressentimento subitamente reativado ganha vida, para surpresa daqueles que nem sequer suspeitavam de sua existência. “O mal ressurge de onde tentamos enterrá-lo”, diz o comissário Gordon a Batman, referindo-se à Liga das Sombras. Em Miranda germinava a semente fascista da Liga e sua cólera contra os civis de Gotham, cidade julgada ingrata e em “decadência moral”.
O ressentimento tem um papel fundamental não só na constituição do sujeito, em sua transformação individual, mas também (e por meio do indivíduo) nas transformações coletivas; nos rumos que toma o coletivo ao qual ele pertence. O ressentimento subjaz, por exemplo, à luta de classes e ao racismo. “Quando a tempestade vier, você e seus amigos vão poder pensar sobre como puderam viver com tanto, deixando tão pouco para o resto de nós”, sussurra a Mulher Gato ao ouvido de Bruce Wayne, membro da elite econômica e intelectual de Gotham.
Para conseguir adesão popular à sua “revolução”, Bane interpela a maioria empobrecida por meio de seu ressentimento em relação aos ricos da cidade, tanto que, na sequência, cidadãos saqueiam lojas e mansões, como forma de aplacar a raiva por anos de privação de mercadorias cujo consumo é estimulado por uma publicidade onipresente, mas negado pelos salários de fome, e condenam os ricos à morte em tribunais populares. “Não estamos aqui como conquistadores, mas como libertadores que vão devolver o controle da cidade ao povo”, argumenta Bane.
Isto mostra como o discurso histórico da esquerda de promoção da justiça social, defesa das liberdades e devolução do poder ao povo pode ser manipulado por tiranos e ditadores de toda sorte, porque é isso que Bane é (há aí uma referência aos rumos que tomaram as revoluções socialistas da antiga União Soviética, cujo socialismo “real” foi implantado à custa de muitas vidas e do sacrifício das liberdades individuais, e de Cuba, onde homossexuais foram conduzidos ao fuzilamento por serem considerados “frutos da moral burguesa decadente”). Não se trata de um ataque por parte do filme aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que inspiraram as revoluções que transformaram o mundo nos últimos séculos, mas, sim, um ataque à manipulação desses ideais por fascistas disfarçados de líderes “revolucionários” ou políticos que, uma vez no poder, não hesitarão em trair esses ideais e instaurar ditaduras para sustentar seus privilégios.
O filme ainda faz uma sutil inversão de valores ao colocar a esperança como um sentimento nocivo. “Não há sofrimento real sem esperança”, diz Bane, ao se referir à esperança que é dada aos presidiários de escaparem do inferno e que só serve para aumentar o calvário destes, uma vez que a liberdade jamais será alcançada. Melhor que a esperança seria o medo da morte, este instinto primitivo que nos levaria a viver a vida como se não houvesse amanhã (e se você parara para pensar, na verdade, não há!); a viver sem espera nem crenças em vida eterna que só serviriam ao controle espiritual de homens e mulheres.
Por trás do ressentimento, individual ou coletivo, há uma ferida gerada por um trauma, uma afronta, uma humilhação ou uma violência sofrida e um desejo de repará-la, de curá-la. Essa ferida dói latejada apesar de toda vontade de esquecer, de todo esforço para esquecer.
Blake fala a Wayne sobre os sorrisos treinados em frente ao espelho que nunca o fizeram esquecer a dor de ter perdido o pai num crime decorrente de dívida de jogo. O contrário do ressentimento – e seu antídoto – é o impulso magnânimo do perdão, das desculpas e, sobretudo, da reparação. E, em sua sequência final, Batman – o Cavaleiro das Trevas Ressurge apela a esse impulso como forma de garantir o amanhã.