Este blog destina-se ao registro de vídeos e textos, meus e de outros que se interessem em colaborar, assim como à notícias sobre cultura. Boa leitura!
domingo, 11 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
O poema do semelhante
Elisa Lucinda
O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente
Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,
Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.
Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.
Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.
O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.
O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente
Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.
Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança
segunda-feira, 5 de março de 2012
5 de março de 2012: 125 anos de Heitor Villa-Lobos
Fonte: Jornal do Brasil
"A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som". Villa-Lobos
Heitor Villa-Lobos nasceu na Cidade do Rio no dia 5 de março de 1887. Levado pelo pai a estudar instrumentos musicais, aos 13 anos já fazia parte de grupos seresteiros. Em 1905, viajou pelo Brasil, em busca das raízes folclóricas, de onde tiraria inspiração. Por volta de 1913, deu início à sua produção, sob influência de Debussy. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, e, no ano seguinte, viajou para Paris. Em 1930, famoso na Europa, voltou para o Brasil.
Preocupado com o desenvolvimento artístico do país, Villa-Lobos percorreu o interior em caravanas culturais. Dono de 12 sinfonias, 17 quartetos para cordas, concertos para piano e orquestra, além de óperas, como Malazarte (1921), morreu em sua cidade natal, no dia 17 de novembro de 1959, aos 72 anos de vida, após meses de sofrimento decorrentes de uma grave uremia.
Em seus últimos dias, as mãos que regeram com maestria tantas sinfonias estavam trêmulas e fracas.
Preocupado com o desenvolvimento artístico do país, Villa-Lobos percorreu o interior em caravanas culturais. Dono de 12 sinfonias, 17 quartetos para cordas, concertos para piano e orquestra, além de óperas, como Malazarte (1921), morreu em sua cidade natal, no dia 17 de novembro de 1959, aos 72 anos de vida, após meses de sofrimento decorrentes de uma grave uremia.
Em seus últimos dias, as mãos que regeram com maestria tantas sinfonias estavam trêmulas e fracas.
domingo, 4 de março de 2012
A Itália chora a morte do genial Lucio Dalla
Gianni Carta, Carta Capital
Mito na Itália e reconhecido mundialmente, as canções do músico falecido na Suíça na quinta inqueitavam e, ao mesmo tempo, fascinavam. Foto: AFP
Com sua voz forte e original, ele (Lucio Dalla) contribuiu para renovar e promover as músicas italianas no mundo.” Palavras de Giorgio Napolitano, presidente da Itália, onde o músico e compositor Dalla é um mito.
Dalla morreu de ataque cardíaco na quinta em Montreux, Suíça, durante um tour europeu. Tinha 68 anos (69 no domingo), e parecia estar em grande forma. Duas semanas antes de ir a Montreux ele havia arrancado calorosos aplausos da plateia do célebre Festival de Canção de Sanremo com sua música Nani.
Foi em Sanremo, aliás, que sua carreira de mais de 40 anos teve início, em 1971, com Gesù Bambino. A canção foi censurada porque alerta que a mãe de Jesus era solteira. Impassível, o artista resolveu rebatizá-la com a data de seu aniversário, 4/3/43. Minha História é a versão de 4/3/43 de Chico Buarque.
Nascido em Bologna, Dalla, que em 2008 veio cantar no Brasil, vendeu milhões de discos mundo afora. Era um músico eclético, capaz de mesclar folk, jazz e música clássica. Compunha canções anticonformistas e usava uma linguagem coloquial. Dalla inquietava, e, ao mesmo tempo, fascinava. Caruso, para numerosos experts sua canção mais famosa, foi cantada em 1992 por Luciano Pavarotti em um concerto em Modena. Sucesso total: mais de 9 milhões de discos foram vendidos mundo afora.
Dalla também compôs para diretores de cinema como Mario Monicelli, Michelangelo Antonioni, Michele Placido e Claudio Verdone. O músico, que iniciou sua carreira como clarinetista do grupo Flippers, aos 20 anos, era também saxofonista e tecladista. Todas as formas de arte o interessavam. Era, por exemplo, curador de uma galeria de arte contemporânea em Bologna.
Disse o cantor Eros Ramazzotti: “Ele foi um dos melhores”. Na sua conta no Twitter, Laura Pausini exprimiu o sentimento de todos os fãs de Dalla: “Não consigo acreditar nessa notícia”.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Comparem e Tirem Suas Conclusões
Eis as duas músicas que concorreram ao Oscar. Sinceramente, acho que indicam filmes e canções brasileiras para concorrerem ao Oscar só para terem o gosto de verem a empolgação e a decepção brasileiras.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Angústia
Silvia Costa da Silva
Eu te espero
Cansada da espera
Que a espera dá.
É complicado revelar
As coisas que vão pelo coração
Em um tufão louco e animal.
Será que existe dor pior que esta?
Só se for a dor de outra espera
Que, porém, tem a certeza de que não virás.
Eu te espero aqui
Com coragem e afinco
Pois tenho a certeza do ombro amigo
Que hás de me dar.
Eu te espero
Cansada da espera
Que a espera dá.
É complicado revelar
As coisas que vão pelo coração
Em um tufão louco e animal.
Será que existe dor pior que esta?
Só se for a dor de outra espera
Que, porém, tem a certeza de que não virás.
Eu te espero aqui
Com coragem e afinco
Pois tenho a certeza do ombro amigo
Que hás de me dar.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Viva Jobim
Não desfazendo dos atuais compositores, sejam eles ou elas, não nos esqueçamos nunca da genialidade inesgotável de Tom Jobim, que nos legou músicas belíssimas, merecedoras de homenagens muitas e infindas, com a realizada no Grammy deste ano.
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